Uma pessoa é assassinada a cada dez minutos no Brasil
  • qua, 12/11/2014 - 10:28
  • O Brasil registrou 50.806 assassinatos em 2013 – o equivalente a uma morte a cada dez minutos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014, divulgado nesta terça-feira(11). Já o total de mortes violentas, que inclui, além dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, chegou a 53.646 no ano passado, um crescimento de 1,1% em relação a 2012.Elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o relatório informa, ainda, que foram registrados 50.320 ocorrências de estupro em 2013. Como estudos internacionais indicam que apenas 35% das vítimas desse crime reportam a agressão à polícia, o documento estima que 143.000 pessoas tenham sido estupradas no país no ano passado.
    Ainda segundo o levantamento, o número de presos no Brasil atingiu 574.207 em 2013.  É o equivalente a uma cidade como Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. O déficit é de 220.057 vagas. Do total de presos, 215.639, ou 41% ainda aguardam julgamento. Os números não incluem detentos sob custódia das polícias. Um em cada quatro presos do país está detido por crimes relacionados a tráfico de drogas, enquanto 49% deles cumprem pena por crimes contra o patrimônio. Já os autores de homicídio são 12% da população carcerária.Mortes em confrontos – Dados do relatório antecipados na segunda-feira mostram que  2.212 pessoas foram mortas no ano passado em confrontos com a polícia – uma média de seis mortes por dia. O número inclui mortes ocorridas em confrontos entre policiais e suspeitos, disparos acidentais e mortes resultantes de operações para desmantelar ações criminosas. O número é menor do que o verificado no ano anterior, quando 2.332 pessoas foram mortas em enfrentamentos com a polícia no Brasil.Em relação à quantidade de policiais mortos, houve um aumento em 2013 na comparação com o ano anterior. Foram 490 mortes, 43 a mais do que 2012. A média no país é de um policial assassinado por dia. Desde 2009, 1.170 agentes foram mortos. A maioria das mortes (75,3%) ocorreu quando os policiais não estavam em serviço. O Rio de Janeiro é o Estado com maior número de casos, com 104, seguido por São Paulo (90) e Pará (51).
    Custo da violência – Dados do anuário mostram ainda que a violência custa ao Brasil o equivalente a 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2013, o montante despendido em decorrência da escalada da criminalidade chegou a 258 bilhões de reais – a maior parte, 114 bilhões de reais, resultou da perda de capital humano. O documento traz na conta os gastos com serviços de segurança particular (39 bilhões de reais), seguros contra furtos e roubos (36 bilhões de reais) e com o sistema público de saúde (3 bilhões de reais) – o chamado custo social da violência.Completam o quadro a verba destinada à manutenção de prisões e unidades de cumprimento de medidas socioeducativas (4,9 bilhões de reais), e os investimentos governamentais em segurança pública totalizando 61,1 bilhões de reais. No ano passado, o investimento público em segurança cresceu 8,65% no país – os gastos da União, Estados e municípios nesse quesito somam 1,26% do PIB. São Paulo foi o Estado que mais investiu em segurança: 9,27 bilhões de reais, 12,11% superior ao montante investido pelo governo federal, 8,27 bilhões de reais.

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